12.9.2005
Diário de Natal: Crescimento requer ação política
Reportagem deste domingo, apresenta perfil da Região Metropolitana de Natal.
Crescimento requer ação política
A necessidade de integração e planejamento da Região Metropolitana de Natal será cada vez mais necessária. A afirmação pode até parecer óbvia, mas ganha matizes e demonstra a complexidade do tema quando se mostra que é baseada em dados como o que diz que a área é a que mais cresce no Estado e continuará assim, a ponto de, até 2020, chegar próximo de concentrar a metade da população do Rio Grande do Norte.
Essa informação pode ser deduzida da estimativa de crescimento populacional do Estado, divulgada no dia 1º deste mês pelo IBGE, e é apenas uma das muitas que compõem o Perfil da Região Metropolitana de Natal, coletânea de dados feita pelo deputado estadual Fernando Mineiro com o objetivo de contribuir para subsidiar as discussões acerca do tema. O Perfil será lançado, em formato de cartilha, durante a audiência pública que a Assembléia Legislativa vai promover na próxima terça-feira, por iniciativa do próprio Mineiro, a partir das 9h30.
POPULAÇÃO
Atualmente a população do Estado é estimada em 3.003.087 habitantes, enquanto que os municípios da Grande Natal concentram 41,3% desse total, ou seja, 1.240.734 pessoas. Levando em conta os municípios dessa área, Natal vem em primeiro, concentrando 778.040 moradores, seguido por Parnamirim, com 163.144, e São Gonçalo do Amarante, com 84.788. Essas duas últimas cidades, aliás, serão as principais responsáveis pelo crescimento da Região nos próximos anos.
Segundo explica o analista sócio-econômico do IBGE no Estado, Ademir Freire, Parnamirim vem apresentando o maior nível de crescimento da Região, tendo, entre 1991 e 2000, uma taxa de crescimento populacional de 7,82%. A Região Metropolitana em conjunto, por sua vez, teve uma taxa de 2,63% no mesmo período, significativamente superior ao restante do Estado, com 1,56%. E essa diferença no crescimento continuará a existir, a ponto dos oito municípios da área chegarem a concentrar, segundo estudo de Ademir Freire, entre 45 e 50% dos moradores do Rio Grande do Norte até o ano de 2020.
DÉCADA
O analista do IBGE acredita que Parnamirim continuará a crescer a taxas próximas de 7% pelo menos até o final da década. Por outro lado, a cidade de São Gonçalo do Amarante deverá ter a sua curva de população acentuada com investimentos como a construção do Aeroporto Internacional e da Ponte Forte-Redinha. Parte desse crescimento, ele ressalta, é devido à própria Natal, que se torna cada vez mais sem espaço para abrigar sua própria população.
''A discussão acerca da Região Metropolitana, frente a essa realidade, se torna cada vez mais necessária. Dados como esses reforçam a importância de que se formulem políticas públicas de integração desses municípios'', acredita Ademir Freire. Ele explica que uma das muitas razões para isso diz respeito ao fato de que parte das pessoas, apesar de passarem a residir em outras cidades que não Natal, continuarão, no entanto, trabalhando na capital.
Para comparar o crescimento da Grande Natal com o de outras áreas do Estado, Ademir Freire cita a cidade de Mossoró, que é a que mais cresce depois dos municípios da área ao redor de Natal. A capital do Oeste teve sua população acrescida a uma taxa de apenas 1,19% ao longo da década de 90. ''Mossoró cresceu muito ao longo da década de 80, quando houve muitos investimentos da Petrobras e o desenvolvimento da fruticultura'', conta.
A audiência pública organizada por Fernando Mineiro terá como convidados os prefeitos da Região Metropolitana e presidentes das Câmara Municipais e secretários de planejamento das oito cidades. Também foram convidados o secretário estadual de planejamento, Vagner Araújo, o coordenador do Grupo Técnico da Região Metropolitana, George Câmara, o presidente do Parlamento Comum da região, vereador Edivan Martins, o presidente da Fiern, Flávio Azevedo, e a professora Tânia Barcelar. Esta última já havia confirmado sua presença desde a semana passada. Ela deverá ser a responsável por coordenar um estudo a ser contratado pelo Governo do Estado, denominado Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentado da Região Metropolitana de Natal.
Grande Natal representa 48% do PIB
Além de concentrar 41,3% da população de todo o Estado, a Região Metropolitana detém 48% do seu Produto Interno Bruto (PIB), 50% do consumo de energia, 55% da frota de veículos e 40% das matrículas escolares. Os números, que dão idéia da dimensão da área e de seus problemas, também fazem parte do Perfil da Região Metropolitana. O documento tem 17 páginas e concentra 24 tabelas sobre indicadores sócio-econômicos os mais diversos.
No que diz respeito ao PIB, Natal detém 72,1% do dinheiro que circula na região, seguido por Parnamirim (11%), São Gonçalo do Amarante (6,1%) e Macaíba (4,3%). Sobre o consumo de energia, os municípios de maior população também seguem na frente, como é o caso de Natal, com 60%, e Parnamirim, com 11,3%. A exceção fica por conta de São Gonçalo do Amarante (7,6%), que apesar de ser o terceiro mais populoso, fica atrás de Extremoz (10,1%), devido à grande concentração de indústrias nesta última cidade.
Natal tambem é a cidade que possui, com folga, o maior número de veículos registrados, com 201.386 deles, ou 83,1% de todos os carros, caminhões e motos da área. Parnamirim vem em seguida, com 22.516. Todos os demais municípios da área possuem menos de 5 mil veículos.
EDUCAÇÃO
No quesito educação, os números também são significativos frente ao restante do Estado. A Região Metropolitana, além de ter 40,8% das matrículas escolares de todo o Rio Grande do Norte, concentra 34,7% do corpo docente. Só em Natal, estão 25,4% de todos os estudantes matriculados no Estado. Macaíba e São Gonçalo vem logo em seguida, tanto no que diz respeito ao número de alunos como de professores.
Região gerou mais emprego no RN
Os principais municípios da Grande Natal apresentaram saldos positivos no que diz respeito à geração de empregos ao longo dos últimos 12 meses. A fonte utilizada pelo Perfil da Região Metropolitana foi o Ministério do Trabalho, que dispõe de dados a respeito de Natal, Parnamirim, Ceará-Mirim, Macaíba e São Gonçalo do Amarante. Em todos eles o número de admissões superou o de dispensas, gerando um saldo positivo total de 11.386 novos empregos, entre julho de 2004 e julho de 2005.
A cidade que gerou maior número de vagas no mercado de trabalho foi Natal, com saldo positivo de 8.884, bem à frente do município que vem em seguida, Parnamirim, com 1.407. Natal também aparece em primeiro no que diz respeito a vários indicadores sociais, como é o caso do índice de mortalidade infantil, que é de 36,53 óbitos para cada mil crianças de até 1 ano. O município em pior condição nesse quesito é Ceará-Mirim, com 48,66 para cada grupo de mil.
Com relação a indicadores sociais diretos, o município de Ceará-Mirim é o que concentra o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humanos), de 0,646, enquanto Natal está em posição diametralmente oposta, com IDH de 0,788. Mesmo assim, a concentração de renda medida pelo coeficiente Gini é maior em Natal (0,640) que nas outras cidades, e menor em São Gonçalo do Amarante (0,510).
O menor percentual de indigência se concentra em Natal (11,1%) e o maior em Ceará-Mirim (35%), que também tem um percentual de pobreza de 63%. No que diz respeito à alfabetização, a capital apresenta índice de 89,9% e São José de Mipibu, 72,3%.